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Governo oficializa Saero

Com a proposta de implementar políticas públicas com foco na eliminação dos pontos frágeis para a melhoria da educação, o governo do Estado lançou oficialmente nesta terça-feira (16), através da Secretaria da Educação (Seduc), o Sistema de Avaliação Educacional de Rondônia (Saero), primeiro item das sete metas estabelecidas em 2011 pelo governador Confúcio Moura, conforme lembrou a gerente de Avaliação e Estatística da Seduc, Maria da Conceição Silva Pinheiro.

O evento, realizado no auditório da Escola Estadual Major Guapindaia, em Porto Velho, contou com a presença de várias autoridades, entre elas o governador Confúcio Moura, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), José Gomes de Melo; alunos e educadores, que ao final participaram de uma palestra ministrada pela professora-doutora, Lina Kátia Mesquita de Oliveira, coordenadora da unidade de avaliação do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF-MG), que auxiliará a equipe de Rondônia, por meio de convênio de cooperação técnico-financeira.

Conforme o governador, o Saero consiste em uma espécie de Ideb [Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico], que pontuará as fragilidades da educação a nível estadual, como disparidade da idade e série entre os alunos, causas da evasão, escolas com menos desempenho, entre outros, para que sejam criadas ações estratégicas com vistas ao nivelamento.

A primeira avaliação está marcada para o dia 7 de novembro, nos três turnos, em todas as escolas da rede estadual que oferecem o 2º, 5º, 6º e 9º anos do Ensino Fundamental; e do 1° ao 3º anos do Ensino Médio. Ao todo serão avaliados pelo menos 123 mil alunos dessas séries, em três anos consecutivos. “O Sistema vai avaliar cada escola para traçar comparações e atuar nos pontos frágeis, pois não adianta investir sem ver o desempenho dos alunos, principalmente em disciplinas, como português e matemática. A princípio já sabemos que nem sempre é a bela estrutura física que motiva a aprendizagem. É o professor que faz a diferença”, afirmou Confúcio Moura, citando como exemplo a Escola Bom Jesus, na Capital, que apesar de funcionar em instalações improvisadas obteve a pontuação de 5,6 no Ideb divulgado este ano. “Nosso objetivo é ter a melhor educação da Amazônia”, completou.

Ao parabenizar o governo por mais esta iniciativa que vislumbra a melhoria do ensino na rede pública, o conselheiro José Gomes afirmou que se trata de importante ferramenta que permitirá aos pais e também ao TCE acompanhar o desempenho dos alunos e a correta aplicação dos recursos públicos. Ele lembrou também que até 1960 pelo menos 60% dos universitários brasileiros eram oriundos do ensino público.

Ao ressaltar a importância do Saero como indicador de qualidade da educação, de instrumento norteador e de monitoramento das políticas públicas da educação em todo o Estado, a secretária da Educação, Isabel Luz, mencionou outros projetos em desenvolvimento, como o da Escola Integral e o Ensino Médio Inovador. A iniciativa do governador também foi elogiada pelo deputado estadual, Euclides Maciel, que ainda anunciou emenda de R$ 100 mil para ser liberada em 2013 pelo governo para a Orquestra da Escola Estadual Daniel Neri, que intercalou a solenidade com a execução do Hino Céus de Rondônia e outras canções, sob o comando do maestro Eliéser.

De acordo com a professora Lina Kátia, o CAEd/UFJF é referência nacional, com atuação em 21 Estados. Só em 2011, segundo ela, foram avaliados 16 milhões de alunos, entre eles os do Ceará, Estado que em 2007 tinha 26% de alfabetizados e hoje conta com 78%.

Fonte: Secretaria de Educação de Rondônia


Análise: Índices ressaltam o desafio de descobrirmos por que ocorrem

Nos resultados do Ideb, ganha relevo a situação de escolas com 8ª série do ensino fundamental (municipais e estaduais) que estavam em 2007 entre aquelas com 10% dos menores Ideb e, quatro anos depois, tiveram o mesmo índice ou até menor.

Os anos finais do ensino fundamental no Brasil configuram-se como grande desafio para políticas públicas educacionais. Para as escolas em epígrafe, muito mais.

A maioria de seus alunos praticamente conclui a 8ª série com uma defasagem de dois a três anos de escolarização, em termos cognitivos, e marcada por reprovações.

Os dados do Ideb nos desafiam a sabermos efetivamente de quais processos decorrem.

Ideb reflete o aprendizado acumulado em alguns anos de escolarização, e não apenas do ano da medição pela Prova Brasil. Seu outro componente, as taxas de aprovação do ano de sua edição, também espelha o passado, pois a aprovação de cada aluno, na verdade, não é uma decisão que dependa exclusivamente do que ocorreu no ano letivo.

Nisso incidem os conhecimentos adquiridos e as ações pedagógicas nas séries anteriores, com consequência nas disposições pessoais para a aprendizagem.

Para enfrentar essa situação, o primeiro passo são iniciativas dos gestores das respectivas redes no sentido de recuperar as medidas desencadeadas, pelo menos, desde 2008, e delinear novas estratégias e caminhos.

No âmbito de cada escola, seria salutar identificar, na história das gerações de alunos, fatores e processos que poderiam ter influenciado nos resultados. Teriam ocorrido alterações na composição social dos alunos? Os professores que trabalharam com cada geração foram os mesmos?

Os processos pedagógicos, incluindo os materiais usados, tiveram modificações? A gestão da escola foi capaz de articular um projeto pedagógico coerente com o sucesso escolar? Que condições infraestruturais dispunham alunos e professores?

Evidentemente, tudo isso está ancorado na suposição de sucesso para todos, o que nessas 379 escolas não existiu. Difícil tarefa, mas necessária. Mais ainda para os que quiserem assumi-la como desafio.

OCIMAR MUNHOZ ALAVARSE é professor da Faculdade de Educação da USP

Fonte: Folha de São Paulo

 


Criado em: 05 out 2012 | Tags: ,
Categoria: Notícias |

Novo presidente do Ipea diz que qualidade da educação é o maior desafio para a política pública

Brasília – O economista Marcelo Neri, empossado hoje (12), em Brasília, como presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), quer aumentar a participação do órgão como formulador e assessor dos ministérios para concepção e monitoramento de políticas públicas, especialmente na área da educação. “Essa é a política pública que mais gera efeito sobre as outras”, acredita.

Segundo Neri, a preocupação é fazer os “dois brasis” avançarem: o país que ainda tem um grande passivo (grande número de analfabetos, pessoas com baixa escolaridade e má qualidade do ensino); e o país que, para crescer, precisa de força de trabalho qualificada. “O Brasil velho e Brasil do futuro têm que andar juntos”, disse.

O economista diz que o gargalo da mão de obra ocorre em todos os setores, inclusive entre os segmentos menos qualificados (empregadas domésticas, operários da construção civil e trabalhadores da agricultura) – o que já pode ser sinal da elevação do padrão de vida e aspirações das camadas mais baixas na distribuição de renda. “É um bom apagão no sentido de que o Brasil vai ter que mudar suas tecnologias”, disse.

Neri, que admite “não ter nascido no Ipea, mas ter sido criado no instituto”, avalia que o órgão tem “massa crítica” e “uma tradição impressionante” para reflexão sobre os problemas socioeconômicos e pretende orientar o Ipea para que ajude o país a “avançar mais na vertical”.

Segundo Neri, continua ocorrendo um movimento de ascensão social verificado nos últimos anos, mas que ainda não foi bem captado pela pesquisa social. “Há mais coisas acontecendo no Brasil do que os nossos olhos conseguiram enxergar até agora”, disse, após citar os impactos do Programa Brasil Carinhoso, da queda da mortalidade, o crescimento da renda dos analfabetos e a elevação do padrão de vida dos 20% mais pobres de forma mais acelerada do que ocorre na China, na Rússia e na Índia (os países que, com o Brasil, formam o Bric, bloco das economias emergentes).

O estudo desses fenômenos podem gerar surpresas entre os pesquisadores do Ipea. “Do ponto de vista do pesquisador, o Brasil é um país que oferece todas as surpresas. A gente acha aquilo que não esperava achar. Para o pesquisador, o grande momento não é quando você confirma o que esperava achar, mas quando descobre algo que não sabia”.

Fonte: Agência Brasil


Criado em: 13 set 2012 | Tags: ,
Categoria: Notícias |