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Ministro aponta redesenho do Ensino Médio como melhoria para a educação

Ao participar da terceira reunião ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), nesta quinta-feira (18) em Florianópolis (SC), o ministro Aloizio Mercadante apoiou o redesenho do Ensino Médio, com avaliação e integração das disciplinas, a fim de contribuir para um salto de qualidade na educação pública.

“A reestruturação do Ensino Médio deve abranger as quatro áreas e concentração do conhecimento do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]”, defendeu Mercadante ao afirmar que o Ministério da Educação está aberto à discussão do redesenho curricular. “Temos uma estrutura atual no Ensino Médio que é uma enciclopédia. Precisamos integrar uma maior articulação das disciplinas”, enfatizou.

O ministro anunciou o projeto do Governo Federal de adquirir tablets para professores do Ensino Médio da rede pública. “Avançamos nas séries iniciais e finais do Ensino Fundamental e o desejo do MEC hoje é de contribuir para a melhoria do Ensino Médio”, defendeu.

Para o governador de Santa Catarina, João Raimundo Colombo, a educação é a essência da grande transformação e há desafios enormes. Ele defendeu o ensino integral como forma de proteção dos jovens e adolescentes no ingresso à criminalidade. “Temos que avançar muito. Esse tipo de ensino integral é oneroso, mas essencial”, frisou.

“Estamos apoiando várias iniciativas dos estados para as escolas de tempo integral, porém, ainda não temos um padrão”, adiantou Mercadante ao afirmar que é necessário criar um plano comum para o país a fim de instituir essa modalidade de ensino nas escolas públicas do Brasil. “Temos vários projetos arquitetônicos e vamos discutir um padrão, com parâmetros de recursos definidos e outros. Em países desenvolvidos a qualidade do Ensino Médio está atrelada às escolas de tempo integral”, afirmou ao citar que a iniciativa é prioridade do governo, mas que não dá para fazer de uma só vez em todo o País.

DIAGNÓSTICO

Foi apresentada a prévia de um diagnóstico, resultado do trabalho integrado envolvendo as cinco regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste).

Segundo a presidente do Consed e secretária de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul, Maria Nilene Badeca da Costa, a discussão inicial revelou que há uma série de pontos que requerem aprofundamento, inclusive para inclusão de dados pertinentes.

Diante disso, houve consenso entre os secretários de Educação a fim de organizar o documento e apresentar na plenária da próxima reunião ordinária do Consed, que acontece nos dias 29 e 30 de novembro, em Curitiba (PR), para validação final e entrega ao ministro Mercadante.

Na proposta preliminar os secretários de Educação do Brasil defendem a reformulação do currículo escolar para o Ensino Médio, a educação integral e de tempo integral, formação de professores e a valorização do Magistério, avaliação, infraestrutura e programas como Ensino Médio integrado à Educação Profissional, Jovens do Futuro, Ensino Médio Inovador e noturno (Educação de Jovens e Adultos).

Além disso, a proposta sugere a criação de um PAR (Plano de Ações Articuladas) para o Ensino Médio que permitirá a apresentação por parte dos estados de projetos de apoio financeiro para o MEC, bem como temas como gestão escolar, modalidade especiais de Ensino Médio (indígenas, quilombolas, EJA, educação especial) e os novos cenários do Ensino Médio Técnico.

Validado o documento pelos secretários de Educação, a proposta será apresentada ao MEC até o dia 7 de dezembro.

Fonte: Secretaria de Educação do Mato Grosso do Sul


Criado em: 22 out 2012 | Tags:
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Inep defende avaliação censitária do ensino médio

São Paulo – O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Luiz Cláudio Costa, defende que o ensino médio seja submetido a uma avaliação censitária, e não por amostra como ocorre atualmente com a Prova Brasil. O MEC (Ministério da Educação) estuda trocar a Prova Brasil pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para calcular o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do ensino médio.

“A avaliação de o ensino médio migrar para o censitário é praticamente consensual [dentro do MEC], o outro [estudo] ainda em debate é o da matriz, da migração do Saeb/Prova Brasil para o Enem, esse está demandando mais estudos”, disse Costa a jornalistas nesta quarta-feira, depois de participar de um seminário sobre qualidade do ensino médio.

A evolução do Ideb no ensino médio foi tímida – passou de 3,6 (2009) para 3,7 (2011). Considerando apenas a rede estadual, o indicador ficou estagnado em 3,4, sendo que no Distrito Federal e em nove Estados houve queda. O governo nega que uma possível substituição da Prova Brasil pelo Enem na avaliação do ensino médio tenha como objetivo “maquiar” os números.

“Os resultados (da avaliação por amostra) são válidos, não há problema em trabalhar com a amostra, mas você envolve mais a sociedade, a escola, os professores quando você trabalha com a (avaliação) censitária, esses são resultados preliminares que ainda serão avaliados”, afirmou Costa.

O presidente do Inep pretende discutir o tema com secretários de Educação estaduais antes de qualquer definição. Uma das preocupações é não perder a série histórica projetada para os próximos anos – a meta do Ideb para 2021 é 5,2.

Durante uma das mesas do debate, Costa considerou “muito interessante” a proposta de usar o Enem como indicador de avaliação do ensino médio. “É possível numa mesma prova avaliarmos o estudante e a escola? Estamos fazendo um estudo profundo, a princípio, é muito interessante.”

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, destacou a articulação entre disciplinas e a distribuição de tablets com projetor digital para professores como forma de tornar o ensino médio mais atraente para os estudantes. Segundo o ministro, o governo também discute com as operadoras a melhora no serviço de banda larga para as escolas. “Quando se olha o Ideb, estamos estabilizados, estabilidade em educação em um País como o Brasil é retrocesso, temos problema e não tem como deixar de encarar isso com coragem”, disse Mercadante. “É formando bons professores que vamos melhorar a qualidade da educação.”

Para o ex-presidente do Inep João Batista Gomes, não se resolve um problema dessa natureza em menos de 20 anos. “Tem de ter continuidade das políticas. Hoje, o ensino médio é ineficiente, ineficaz, não dá pra resolvê-lo com uma geração”, declarou.

Fonte: UOL


Criado em: 16 out 2012 | Tags: , , , ,
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Qualidade do ensino passa por participação das universidades

As universidades federais devem ter maior participação em ações para superar o desafio da educação básica, na visão do ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Ele fez essa afirmação durante a solenidade de abertura do seminário Qualidade do Ensino Médio, promovido pela Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), nesta quarta-feira, 10.

Para o ministro, há uma necessidade de repactuar a relação entre a universidade e o ensino médio brasileiro. A proposta do ministro estimula a criação de núcleos de estudos sobre o ensino médio e formação de professores dentro das instituições. “As universidades públicas precisam se debruçar sobre as necessidades da formação dos docentes para uma nova realidade de ensino, desde a formação inicial”, afirmou.

Além da formação e valorização dos docentes, o desafio do ensino médio, segundo Mercadante, deve ser abordado em diferentes campos, como a ampliação da capacitação dos gestores escolares, fomentando cursos de especialização para diretores de escola, o desenvolvimento de novas práticas e o redesenho do currículo escolar, com o ensino médio inovador.

Mercadante defendeu que a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como mecanismo de entrada na universidade gera uma demanda para o redesenho do currículo. “Precisamos sair de uma estrutura enciclopédica, como temos hoje, para um modelo que articule e integre as disciplinas e construir um processo mais orgânico na formação”, defendeu.

Para o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, o Enem é um meio de democratizar o acesso à educação superior. Costa, que palestrou sobre a importância da avaliação para formulação de políticas públicas para o ensino médio, ressaltou que a qualidade da educação brasileira está avançando. “A pergunta que nos cabe hoje é se a velocidade do avanço é suficiente para acompanhar as questões sociais e econômicas que o mundo nos impõe”, disse.

Cotas – O ministro Aloizio Mercadante esclareceu questões sobre a implementação da Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, conhecida como Lei de Cotas. A lei determina a reserva de 50% das vagas, em quatro anos, em instituições federais de educação superior a estudantes de escolas públicas, com base no perfil racial de cada unidade da Federação, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estabelece também vagas para alunos com renda de até 1,5 salário mínimo familiar per capita.

Para Mercadante, as cotas são uma política social de impacto de médio e longo prazo. “Muitos alunos que ingressaram pelas cotas são os primeiros de suas famílias que chegam à universidade”, concluiu.

Fonte: MEC



Criado em: 11 out 2012 | Tags: ,
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Desempenho fraco do ensino médio público estimula mudanças curriculares

O Ministério da Educação estuda um novo modelo de ensino, em que as atuais 13 disciplinas serão distribuídas em apenas 4 grandes áreas. Na Câmara, uma comissão especial também estuda novos modelos para o ensino médio.

O desempenho dos alunos do ensino médio não evoluiu entre 2009 e 2011. Essa é a avaliação do Ministério da Educação (MEC), que anunciou em agosto o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), uma espécie de exame geral do ensino básico no País calculado a partir das taxas de aprovação e do resultado médio dos alunos em provas de português e matemática. Especialistas apontam o currículo dessa etapa de ensino como uma das causas para as baixas notas.

Entre 2005 e 2009, o Ideb alcançado pelas escolas públicas passou de 3,1 para 3,4, em uma escala que varia de zero a dez. Mas a nota parou de evoluir a partir de 2009. Além disso, em nove estados (Acre, Maranhão, Espírito Santo, Pará, Alagoas, Paraná, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Sul), o ensino médio chegou a retroceder em comparação com 2009.

Na média geral, o resultado do Ideb cumpriu a meta do MEC para o ano passado. Mas até o governo já admitiu que o desempenho do ensino médio foi pior que o esperado. Em entrevista coletiva, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, admitiu que essa etapa de ensino é “um grande desafio” para qualquer sistema educacional.

Na Câmara, dois projetos de lei preveem a divulgação do Ideb de cada escola em murais visíveis a toda comunidade (PLs 1530/11 e 1536/11).

Muitas disciplinas
Um dos maiores problemas apontados por especialistas é o excesso de disciplinas ensinadas aos alunos. Hoje, o currículo do ensino médio tem 13 disciplinas obrigatórias. “Não há quem aguente, especialmente com atrasos escolares e avanços na idade, um currículo com 13 componentes isolados e enciclopédicos e que não atendem às necessidades de vida do jovem, que tem que saber o que quer e já fez opções importantes na vida”, alerta o professor da Universidade Católica de Brasília Cândido Alberto Gomes.

“Essa desmotivação acaba levando à evasão escolar”, alerta o diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro/DF), Rodrigo Rodrigues.

O doutor em Economia Claudio de Moura Castro concorda. “O currículo atual é excessivo, tem disciplinas demais, é chato, não fala do mundo real, é desinteressante e, portanto, altamente desencorajador. É preciso um pai muito insistente para conseguir que um filho fique na escola. Na prática, metade vai embora depois de entrar no ensino médio”.

“É importante discutir qual é o objetivo do ensino médio para vida desses alunos? Hoje o ensino médio está pautado para realização do vestibular, e o vestibular é limitante, tem índices de exclusão muito grandes”, pondera Rodrigo Rodrigues.


Criado em: 27 set 2012 | Tags: ,
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Reforma do ensino médio é tema de debate na televisão

A reforma curricular do ensino médio, proposta pelo governo federal, é tema do próximo TVE Debate. O programa da TV Educativa vai ao ar no próximo domingo (23/9), às 21h30, com a participação do assessor especial para assuntos de currículo da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, Nildon Pitombo, da professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Roseli Sá, e da presidente do Conselho Estadual de Educação, Ana Teixeira.

Para o assessor da Secretaria, a temática é bastante oportuna e o debate é importante para ajudar a população a entender o que está sendo proposto. Pitombo afirma que a Bahia está disposta e preparada para seguir as novas orientações e construir um novo modelo de educação para os estudantes do ensino médio da rede pública estadual.

“A preocupação do Ministro da Educação sinaliza que o Brasil precisa revisar toda a configuração e ordenamento do ensino voltado para a juventude. Para isto, já iniciamos as discussões com as universidades com vistas à adequação do processo de formação dos professores”, esclarece.

De acordo com o assessor, a revisão inclui, além da formação de professores, a estrutura da própria escola, produção de material didático e, sobretudo, a articulação das disciplinas da base nacional comum com a parte diversificada do currículo. “É importante explicar que as disciplinas permanecem no currículo. O que se propõe é fundamentar a aprendizagem em quatro áreas do conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas, que vão articular com ciência, trabalho, tecnologia e cultura e com os conteúdos convencionais”.

Ideb e avaliações de desempenho - Organizado em três blocos, o debate, mediado pelo jornalista Vanderson Nascimento, abrange, ainda, a importância da divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para a sociedade e o papel das avaliações de desempenho.

Para Nildon Pitombo, o Ideb é um retrato do sistema de educação. “No contexto da Bahia, o índice mostra, por exemplo, os efeitos das políticas públicas de educação para o primeiro segmento do ensino fundamental. Indica que acertamos ao promovermos o reforço de aprendizagem de português e matemática e a ampliação do tempo de permanência dos estudantes na escola”, informa.

O assessor ratifica que a prática da avaliação é fundamental para mostrar erros e acertos e possibilitar ações de melhoria. “O país está mais maduro e já reconhece que avaliar não é fazer ranking. Avaliar significa rever o que se faz, rever parâmetros para medir a aprendizagem. É preciso avaliar não só o quanto o estudante aprendeu, mas o uso que ele pode fazer deste aprendizado na vida”.

Fonte: Secretaria de Educação do Estado da Bahia

 


Criado em: 21 set 2012 | Tags: , ,
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Inep destaca evolução dos índices e mira desafios

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Costa, destacou nesta quarta-feira, 19, os resultados do índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb) de 2011 e os desafios do ensino médio. Segundo ele, o Brasil está avançando. Costa ministrou, de manhã, palestra na Frente Parlamentar da Educação do Congresso Nacional. O tema foi a evolução da educação brasileira nos próximos anos.

Dados do Ideb de 2011 mostram que o país atingiu metas estabelecidas em todas as etapas da educação básica — nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio. Nos anos iniciais, o Ideb nacional alcançou pontuação 5,0. Ultrapassou a meta para 2011, de 4,6, e também a proposta para 2013, de 4,9. Costa ressaltou que a meta de 2011 foi alcançada por 77,5% dos municípios do país. “O Brasil tem muito a comemorar, mas essa comemoração não pode nos inebriar e nos deixar estáticos”, disse. “Temos muitos desafios.”

Para o presidente do Inep, os avanços obtidos até agora devem ser considerados. “Porque senão, não vamos avaliar as políticas públicas que surtiram efeito”, afirmou. “Avanços ocorreram porque políticas foram desenvolvidas. Temos de potencializar as políticas que deram certo.”

O Inep tem trabalhado em parceria com o Ministério da Educação, estados e municípios para obter resultados cada vez melhores. “Estamos dialogando com as secretarias estaduais e municipais para entender quais são as intervenções pedagógicas necessárias”, salientou. “Não é uma ação somente do governo federal, mas do federal, do estadual e do municipal. Os grandes resultados vêm quando essa integração acontece.”

De acordo com Costa, o investimento em educação básica também aumentou consideravelmente nos últimos anos. Em 2002, o orçamento era de R$ 14 bilhões; em 2012, chega a R$ 48 bilhões.

Médio — Entre as melhorias para o ensino médio, Costa destacou a implantação do ensino em tempo integral e a formação continuada para os professores. “Atingimos a meta de 3,7, de forma tímida. Não estamos satisfeitos. Temos muito para avançar”, reconheceu.

Fonte: MEC


Criado em: 19 set 2012 | Tags: , ,
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Inep: ensino fundamental tem avançado mais rápido que o médio no País

O Brasil superou as metas propostas pelo Ministério da Educação (MEC) para o ensino fundamental em 2011, mas, no ensino médio, apesar dos objetivos propostos terem sido alcançados, a situação ainda é crítica e as melhorias estão acontecendo de maneira mais lenta. A informação foi dada nesta quarta-feira (19) pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, que apresentou, em palestra na Câmara, os resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O dirigente ressaltou que um dos grandes desafios para os próximos anos está no ensino médio. “Ele precisa ser repensado, pois é nesse estágio que temos a menor taxa de aprovação e altos índices de abandono, com jovens fora da escola. Precisamos atuar nessa faixa, que é aquela em que estamos tendo o menor avanço de rendimento”, afirmou o presidente da autarquia, vinculada ao MEC, responsável pelas estatísticas educacionais oficiais.

Na faixa etária de 15 a 17 anos, citou Costa, o Brasil tem cerca de 10,5 milhões de jovens, dos quais apenas a metade está no ensino médio com a idade adequada, 978 mil não frequentam escola nenhuma e quase 167 mil são analfabetos. Segundo o palestrante, nos próximos meses, propostas, como a flexibilização do currículo e o ensino em tempo integral, serão debatidas com a sociedade e o Congresso. “Devemos refletir se o modelo curricular atual de 13 disciplinas é adequado ou se podemos migrar para o trabalho em grandes áreas, resguardando as disciplinas, porém de forma integrada. A adoção da escola em tempo integral também me parece profundamente adequada, além do ensino profissionalizante, que dá uma opção ao jovem que queira encerrar o ensino médio e já ter a sua profissão.”

O presidente do Inep apontou também um dado positivo: o número de alunos do ensino médio que estudam durante o dia aumentou significativamente – era de 44% dos jovens em 1995 e hoje está em 88%. Costa mencionou que estados que melhoraram os índices de qualidade do ensino médio investiram especialmente em levar mais alunos para o turno diurno, aumentar a carga horária e capacitar professores.

Comissão especial
Na Câmara, foi instalada uma comissão especial justamente para debater problemas e soluções para o ensino médio. O deputado Alex Canziani (PTB-PR), que integra o colegiado, adiantou que as primeiras propostas dos parlamentares serão apresentadas no ano que vem. Ele destacou que é preciso pensar uma escola que seja adequada para o jovem contemporâneo. “Os alunos de hoje são muito antenados, tecnológicos, têm dificuldade de permanecer em sala de aula, então temos de procurar entender as expectativas desses jovens e o que podemos fazer para que a escola seja mais atrativa”, declarou.

Após a palestra, a deputada Professora Rosinha Seabra Resende (DEM-TO) apontou a necessidade de que as escolas recebam individualmente os índices do Ideb para que possam verificar as fragilidades do ensino. Ao relatar sua experiência como secretária estadual de educação, ela lembrou que um aluno com dificuldades de aprendizado pede um professor mais capacitado. “Interessa para a escola saber que os seus estudantes não estão aprendendo determinado conteúdo de língua portuguesa porque serve de instrumento para o professor. Em 2001, fizemos uma avaliação e descobrimos que os conteúdos que os alunos não sabiam os seus professores também não sabiam”, relatou.

O evento desta quarta-feira foi organizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação.

Fonte: Agência Câmara de Notícias


Criado em: 19 set 2012 | Tags: ,
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Senado aprova disciplinas de ética no ensino fundamental e médio

Projeto, que foi unanimidade na comissão de educação, segue para apreciação na Câmara.

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou, em caráter terminativo, a criação de duas disciplinas obrigatórias nas escolas brasileiras. No ensino fundamental, entra cidadania moral e ética , e no currículo do ensino médio, ética social e política.

Sentido contrário: Mercadante defende revisão curricular no ensino médio

O Projeto de Lei do Senado 2/2012, de autoria do senador Sérgio Souza (PMDB-PR), modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), incluindo a disciplina como obrigatória para o ensino fundamental. Relatado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), a proposta foi aprovado por unanimidade. Entre as justificativas de Sérgio Souza para o projeto, está “a necessidade de aprimoramento da LDB, com a criação de disciplinas que deem aos estudantes melhor formação ética, social e política, o que os capacitará para o correto entendimento dos principais problemas sociais do nosso país e do mundo”.

Análise: “Não se pode ensinar tudo”, diz especialista português

A diretora executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, criticou a medida e o excesso de disciplinas já constantes do currículo da educação básica. “Que horas que os alunos vão conseguir aprender aquilo que é essencial? Não que [o projeto de lei do Senado] não seja importante, realmente vivemos uma crise de valores na sociedade. O que acontece é que tudo recai na escola. Não tenho dúvidas que o aluno deve refletir sobre questões de ética, mas não se aprende na teoria. É no dia a dia”, defende.

Priscila Cruz considerou “desnecessária” mais uma disciplina e destacou que o conteúdo deve ser trabalhado de forma transversal em todas as disciplinas. “Não se pode separar ética, ela tem que estar presente em todos os conteúdos. Como tema transversal é perfeito. Cidadania é ética, e isso a gente vivencia”, completou.

O projeto segue agora para ser analisado pela Câmara dos Deputados.

A mesma comissão no Senado também aprovou hoje, em decisão terminativa, o projeto de lei que modifica a Política Nacional do Livro. Com a mudança, os livros eletrônicos serão equiparados aos tradicionais na legislação brasileira, inclusive na isenção de impostos.

Currículo em vigor: Música é um de sete novos conteúdos obrigatórios nas escolas

Em outra decisão, foi aprovado o parecer favorável do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) ao projeto de lei que considera crime hediondo o desvio de verbas destinadas a programas de educação e saúde (PLS 676/2011). A matéria agora vai para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde receberá decisão terminativa.

Três projetos que tramitavam em decisão terminativa foram rejeitados pela comissão: o PLS 585/2007, destinado a fortalecer a fiscalização do Poder Executivo sobre instituições de educação superior; o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 51/2010, que criaria o Prêmio Paulo Freire de Criatividade; e o PLC 100/2011, que alteraria a denominação da Universidade Federal do Oeste do Pará.

*Com informações da Agência Brasil

Fonte: Último Segundo


Criado em: 11 set 2012 | Tags: ,
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Ideb 2011: País avança nos anos iniciais, mas ainda enfrenta desafios nas etapas seguintes

Indicador cresce no 5º ano, mas o cenário continua praticamente o mesmo nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado esta semana pelo Ministério da Educação (MEC), revela que os alunos brasileiros estão aprendendo mais nos primeiros anos de escolarização. Apesar da boa notícia, o país não consegue avançar no mesmo ritmo nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

De acordo com os resultados, no 5º ano do Ensino Fundamental, o Ideb passou de 4,6 em 2009 para 5,0 em 2011. Já no 9º ano esse crescimento foi menor: de 4,0 para apenas 4,1. O mesmo ocorreu no 3º ano do Ensino Médio, que passou de 3,6 para 3,7.

Na avaliação de Ruben Klein, especialista em estatística e consultor da Fundação Cesgranrio, “estamos melhorando a qualidade nos anos iniciais, mas esse movimento precisa continuar nos anos seguintes. Não podemos perder esses alunos”. Para ele, o crescimento maior na etapa inicial já era esperado, pois reflete os esforços que as redes vêm fazendo nos anos iniciais, em especial em relação ao currículo, à formação continuada dos professores e à qualidade dos materiais utilizados nas escolas.

“Estamos tendo uma melhora sistêmica e bastante importante nos anos iniciais. Ter adotado a idade de seis anos para entrada obrigatória, e transformado a creche em política educacional, em vez de assistência social, foi uma mudança estratégica”, analisa o ministro da Educação Aloizio Mercadante.

Ao observar a evolução, Romualdo Portela, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), explica que o crescimento do indicador vem ocorrendo de forma mais lenta do que a esperada. Segundo ele, esses resultados estão fortemente atrelados às condições socioeconômicas dos alunos. “É muito difícil saber até que ponto essa evolução é resultado do trabalho feito pelas escolas ou se é resultado da redução da desigualdade social e econômica que ocorreu nos últimos anos”, pondera. Somente com a divulgação dos microdados da Prova Brasil, prevista para novembro, será possível analisar a fundo esses resultados.

Veja os resultados do Ideb do seu estado, do seu município e da sua escola

Nos anos iniciais, sete em cada dez municípios cumpre as metas
Ao analisar com atenção as informações dos anos iniciais do Ensino Fundamental, tendo como foco as redes municipais – responsáveis por 68% das matrículas desta etapa, segundo o Censo Escolar 2011 – constata-se que 77,6% dos municípios brasileiros cumpriram as metas estipuladas para 2011. “Os resultados mostram que é possível realizar a municipalização de forma bem feita e que muitas redes têm conseguido”, diz Klein.

O resultado das redes municipais é visto como um avanço importante pela presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho. “Trata-se de um crescimento consistente, que mostra que as políticas públicas estão chegando aonde devem chegar”, diz ela. Na opinião da educadora, os bons resultados das séries iniciais se devem a um conjunto de fatores. “O regime de colaboração tem feito a diferença, aliado a políticas integradas e com foco na aprendizagem e na formação continuada de professores. Outro fator importante é o trabalho dos diretores escolares. Uma atuação focada na gestão pedagógica e administrativa faz a diferença”. Cleuza reforça, ainda, a importância de se ampliar os recursos destinados à área, em especial à Educação Infantil. “O investimento nessa etapa traz resultados para as demais e a luta por mais recursos deve continuar”, defende.

Entre os destaques quando se fala no Ideb dos anos iniciais está o Ceará. O conjunto de municípios que compõe o estado alcançou os melhores resultados do país: 95,6% cumpriram as metas de 2011. “O estado tem uma tradição grande de cooperação, assim como de avaliação. A secretaria tem uma preocupação e impõem políticas específicas que visam o crescimento do Ideb, como ocorreu em Sobral”, comenta Portela. A avaliação externa no estado foi criada em 1992 e recebeu o nome de Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará – SPAECE.

Na outra ponta da tabela aparece o Rio de Janeiro, com o menor número de municípios alcançando a meta (47,3%). “É difícil explicar os fatores que levaram aos baixos resultados, uma possibilidade é a flutuação das políticas públicas em algumas redes”, diz o especialista.

Portela chama atenção também para as desigualdades que ainda existem no país. Apesar do grande esforço realizado pelos municípios cearenses, que fez com que alcançassem o melhor resultado da região Nordeste, eles estão abaixo da média Brasil. “Ainda não conseguimos superar as desigualdades de raça e regionais – entre o norte/nordeste e o sul/sudeste e entre as áreas rural e urbana”, lembra ele. Esses desafios devem continuar no foco das políticas públicas do país.

Anos finais e Ensino Médio têm mais dificuldade para alcançar as metas
Os bons resultados vistos nos anos iniciais, infelizmente, não se mantêm nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Olhando apenas as redes estaduais, que concentram boa parte das matrículas dessas duas etapas, observa-se que 12 estados não alcançaram as metas de 2011 para os anos finais do Fundamental e sete não chegaram às do Médio.

As razões para tais resultados também são muitas e não são simples. Portela alerta para o fato de o problema ser cumulativo. “Conforme avançam na escolaridade, as deficiências tendem a se tornar mais crônicas”, diz ele. Outra hipótese para a dificuldade em avançar nos anos finais do Ensino Fundamental, segundo ele, é que a avaliação pode não estar captando as deficiências de aprendizagem nos anos iniciais, de maneira que só passam a ser evidentes nos anos finais.

Klein alerta que há um gargalo na passagem dos anos iniciais para os finais desta etapa, seja em relação ao rendimento, seja ao fluxo. “A taxa de reprovação no 6º ano é altíssima. É preciso um grande esforço para se repetir o que tem sido feito nos anos iniciais”, diz ele.

Para Nilene Maria Nilene Badeca da Costa, secretaria de Educação do Mato Grosso do Sul e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a reprovação e o abandono ainda são os maiores obstáculos a serem superados. Ela lembra que em alguns estados, em vez de aumentar, houve queda na taxa de aprovação.

No período de 2005 a 2011, o percentual de alunos aprovados caiu em cinco dos 12 estados que não cumpriram as metas nos anos finais do Ensino Fundamental. No Ensino Médio esse mesmo problema ocorreu em três dos seis estados que ficaram abaixo do esperado. Segundo ela, as redes que mais avançaram ou que conseguiram ficar dentro da meta têm um currículo estruturado, investem fortemente na formação continuada dos professores e monitoram cada escola.

Para superar os baixos índices nas últimas etapas de escolarização a presidente do Consed afirma que “é preciso juntar vontade política a um bom trabalho técnico”. Além disso, ela comenta a necessidade aproximar os pais e a comunidade para garantir que os alunos não deixem de frequentar a escola e defende que a universidade contribua ainda mais na formação inicial e continuada dos professores especialistas que atuam nas duas últimas etapas da Educação Básica.

Frente à estagnação, MEC propõe mudanças no Ensino Médio
Durante entrevista coletiva, o ministro da Educação Aloizio Mercadante afirmou que o MEC irá rever o currículo do Ensino Médio. Um dos objetivos é reduzir o número de disciplinas nessa etapa de ensino e também ampliar a oferta da modalidade profissionalizante. O aumento da jornada também foi citado como opção.

Ruben concorda com algumas das propostas de Mercadante. “Precisamos reduzir o número de disciplinas. Além disso, as diretrizes aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação são muito vagas e não resolvem o problema”, comenta. Em linha com ele, Portela afirma que “o currículo já deveria ter sido revisto” e chama a atenção para os desafios dessa etapa. Além de definir os conteúdos e reduzir o número de disciplinas, ampliar a jornada para no mínimo cinco horas efetivas de aula pode ter um efeito positivo sobre o desempenho dos alunos. “Se o MEC fizer isso será benéfico, mas não podemos esquecer que esses dados só vão melhorar quando os alunos saírem mais bem preparados do Ensino Fundamental”, diz Klein.

Outra medida citada pelo ministro para resolver os problemas do Ensino Médio foi o uso dos tablets nas escolas. Não ficou claro, no entanto, quais ações serão realizadas pelo Ministério para que o uso da tecnologia ajude a aprimorar o aprendizado.

MEC quer ampliar participação de escolas privadas na Prova Brasil
Em 2011, o Ideb das escolas particulares é de 6,5 nos anos iniciais, menor dos que os 6,6 previstos pelo MEC. Mesmo sem alcançar a meta, elas permanecem com resultado melhor do que as escolas da rede pública, que é 4,7. Desde que foi criado em 2005, a evolução do índice foi menor nas instituições privadas do que nas públicas: 0,6 ponto contra 1,1 ponto, respectivamente.

Essa tendência permanece também se repete nas etapas seguintes. Na rede privada, o Ideb nos anos finais do Ensino Fundamental é 6 e no Ensino Médio, 5,7 – resultado abaixo das metas de 6,2 e 5,8, respectivamente.

Ao analisar essa tendência, o ministro afirma que qualquer análise mais conclusiva é precipitada. E explica que “uma hipótese que deve ser investigada é a ampliação da matrícula na rede privada da matrícula por conta do aumento da renda da população”. Segundo ele, é preciso fazer esse estudo para avaliar o impacto da entrada dessas pessoas sobre o desempenho das escolas.

Atualmente, as particulares são avaliadas de forma amostral pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Após sorteio, a instituição pode aceitar ou não participar do teste. “Para 2013, queremos, por adesão, massificar a avaliação das escolas privadas”, sugere Mercadante. Segundo ele, o MEC irá incentivar que mais instituições sejam avaliadas já na próxima edição.

Perguntado sobre o impacto financeiro que será incluir essas escolas no processo de avaliação, o ministro defende que o custo não será relevante frente aos resultados, pois o mais importante é que os pais possam avaliar com transparência qual é o nível de qualidade que essas escolas têm.

Melhora no Ideb depende da taxa de aprovação e das notas na Prova Brasil
Criado em 2005, o Ideb é calculado a partir da combinação da taxa de aprovação e do desempenho dos alunos na Prova Brasil, que avalia conteúdos de Matemática e Língua Portuguesa. A meta estipulada pelo MEC é que todas as redes de ensino e escolas tenham Ideb de no mínimo 6 nos anos iniciais do Ensino Fundamental até 2021, patamar médio dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Entre 2005 e 2011, nos anos iniciais do Ensino Fundamental – etapa em que o Ideb mais aumentou –, a taxa de aprovação cresceu 12% e a proficiência média dos alunos em Matemática e Língua Portuguesa aumentou 27,2 e 18,2 pontos na escala do Saeb, respectivamente.

Já no Ensino Médio, que teve o pior desempenho no período, a taxa de aprovação cresceu apenas 5,7% e a proficiência média dos alunos aumentou apenas 10,9 pontos na escala do Saeb em Língua Portuguesa e praticamente não sofreu alterações em Matemática, com um crescimento de apenas 3,5 pontos.

O pesquisador da USP lembra que o Ideb não pode ser o único termômetro da qualidade da Educação, já que o trabalho realizado não deve ficar restrito apenas à aprendizagem dos conteúdos cobrados na Prova Brasil. No entanto, essa ressalva não tira a validade do indicador. “Ele é importante porque serve como alerta para os gestores das redes que não estão conseguindo avançar”, reconhece.

A presidente do Consed fala também sobre a importância do indicador para nortear as políticas públicas. “Os resultados do Ideb nos mostram que é preciso olhar para a Educação Básica e para as redes de ensino como um todo. Não podemos nos contentar em ter algumas escolas com um Ideb alto ou ficar satisfeitos com os avanços que alcançamos nos anos iniciais do Ensino Fundamental”, defende.

Fonte: Revista Nova Escola


Criado em: 10 set 2012 | Tags: , ,
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Mudança curricular no ensino médio divide educadores no Brasil

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta semana que, em outubro, a pasta fará uma reunião para definir mudanças e incentivos para o ensino médio. A reunião tratará da reformulação curricular, proposta pelo MEC na segunda quinzena de agosto. A ideia é que o currículo seja organizado nas quatro áreas do conhecimento exigidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – matemática e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias e ciências humanas e suas tecnologias. Atualmente, o ensino médio da rede pública tem 13 disciplinas obrigatórias, mas pode chegar a 19 com as opcionais.

Veja as mudanças no sistema de ensino brasileiro em cinco décadas

Frente aos maus resultados do ensino médio no Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb), Mercadante defende que um currículo mais flexível e menos fragmentado pode melhorar o desempenho nessa área. Segundo o ministro, focar o ensino no Enem seria uma forma de atender às expectativas dos alunos, que, com a valorização do exame na entrada na universidade, vão cobrar principalmente uma coisa das escolas: passar no vestibular.

O professor Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), no entanto, considera a proposta “estranha”. “Essa posição diante dos resultados (do Ideb), sem um estudo aprofundado, é complicada. É preciso investigar, mas, pessoalmente, estou convencido de que número de disciplinas não é o maior problema – embora haja, de fato, muitas disciplinas”, avalia. O educador também critica a proposta de utilizar o Enem como modelo para o ensino médio, inclusive para sua avaliação. “É dar um poder muito grande ao Enem. Nós podemos repensar o currículo, mas sem misturar as coisas. O Enem não tem tanto poder, nem deve ter”, argumenta.

Para o professor, outras questões influenciam no baixo desempenho, como a falta de infraestrutura das escolas. No entanto, para ele, a questão principal é a formação e a contratação dos professores. Ele destaca que o ensino médio sempre teve dificuldades no recrutamento de profissionais qualificados. “Além disso, como nossos professores são formados? Por disciplinas”, diz Alavarse, expondo uma das principais preocupações diante à reformulação: a adaptação dos docentes ao novo currículo.

O professor Chico Soares, que integra o grupo de avaliação e medidas educacionais da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, acredita que o processo é inverso. “Todos falam na formação do professor como se fosse um problema, mas antes de decidirmos como ele será formado, temos que saber o que ele irá ensinar. O ensino médio não tem solução antes que se mude o projeto dele”, defende, ressaltando que o plano ainda está sendo discutido e que não há nada pronto para ser implementado.

Para Soares, houve um “ruído” na compreensão da nova proposta de ensino. Primeiramente, ele destaca que não se sugere uma “fusão” das 13 disciplinas em quatro áreas, mas sim dar foco e profundidade ao conhecimento. “A proposta é focar as competências. Nosso currículo tem 1 km de extensão e 5 cm de profundidade”, declara. O educador acredita que as aulas devam ser direcionadas para aspectos práticos da vida do aluno.

Klinger Marcos Barbosa Alves, 2º vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), concorda com Soares ao dizer que ainda há mais perguntas do que respostas na mudança do ensino médio e que a proposta ainda está em construção. “Precisamos saber como isso será feito, como juntaremos as áreas sem prejudicar conteúdos”, afirma. Para ele, assim como para Alavarse, um dos pontos mais polêmicos da proposta é a formação dos professores.

“É um novo perfil de formação do professor. Hoje, há licenciaturas específicas, são linhas que têm currículos e diretrizes nacionais. Esse docente deverá ter preparação para pensar o trabalho de forma diferente, e isso tem impacto nos currículos. Também precisamos pensar nos professores que já estão formados”, diz.

O secretário aponta, contudo, outras questões que devem ser discutidas para a melhoria do ensino, como a evasão escolar. “O aluno já entra no ensino médio com dificuldade, com uma formação ruim, algo que já vem do ensino fundamental. Precisamos descobrir como trazer e manter o estudante na escola”, afirma. Alves acrescenta à lista de dificuldades a pressão que o aluno sofre da família, que exige que ele trabalhe, o que tira tempo dos estudos.

“Talvez acoplamento em quatro áreas seja necessário, mas não seja a única medida que deva ser tomada”, conclui o secretário, destacando a dificuldade, sob ponto de vista pedagógico, de manejar tantos professores no currículo atual.

Fonte: Terra


Criado em: 04 set 2012 | Tags:
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