Busca no site:

Dia Nacional da Alfabetização: Quando letras e palavras passam a fazer sentido

Em Minas Gerais,  88,9% dos estudantes da rede estadual matriculados no 3º ano do ensino fundamental leem, escrevem, interpretam e fazem síntese em um nível considerado recomendável

O pequeno Samuel Oliveira Ferraz Porto, de 08 anos, é um apaixonado pelos livros. O gosto pela leitura teve início quando o aluno do 3º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Dom Helvécio, em Ipatinga, deixou de imaginar o conteúdo das histórias que lia e começou a compreender o que estava escrito nas publicações. É pensando em exemplos como o de Samuel que Minas Gerais celebra, com entusiasmo, o ‘Dia Nacional da Alfabetização’, comemorado nesta quarta-feira (14-11).

“Eu fui o primeiro da minha sala que aprendeu a ler e isso foi muito legal. Com a leitura posso aprender melhor as coisas. Quando eu crescer quero ser um cientista para poder fazer muitas experiências e sei que vou precisar estudar muito. A leitura é muito importante pra isso”, conta Samuel.

Para a professora do 3º ano do ensino fundamental, Maria Aparecida de Jesus Honorato, ver uma criança alfabetizada é uma recompensa. “Uma criança alfabetizada é resultado de um trabalho em equipe. Quando o estudante chega ao terceiro ano ele já está lendo um pouco. Nessa fase vamos trabalhar com aluno a fluência. No final do ano, ver ele lendo com fluência, entendendo o que está lendo e criando seus próprios textos é um prêmio para nós professores”, ressalta.

A educadora destaca ainda que o processo de alfabetização deve ser prazeroso. “A leitura deve ser agradável e tem que despertar no aluno o prazer em ler. O aluno precisa compreender a finalidade do texto e não apenas ler por ler. Isso acontece quando o professor incentiva o estudante de forma positiva e utiliza estratégias lúdicas e diferenciadas”, conclui Maria Aparecida de Jesus Honorato.

Segundo a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Raquel Elizabete de Souza Santos, “o aluno alfabetizado é aquele que sabe ler, interpretar e fazer as inferências dentro das competências de uma criança de oito anos”.

Resultados mineiros

De acordo com os últimos resultados do Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa), realizado em 2011, 88,9% dos estudantes da rede estadual de Minas Gerais matriculados no 3º ano do ensino fundamental leem, escrevem, interpretam e fazem síntese em um nível considerado recomendável. Esse índice vem crescendo de forma consistente, nos últimos anos e subiu mais de 40% desde a primeira aplicação da Avaliação, em 2006, quando 48,6% dos estudantes estavam no nível recomendável.

No Estado, um dos grandes responsáveis pelo crescimento da alfabetização dos estudantes é o Programa de Intervenção Pedagógica (PIP). A iniciativa foi criada em 2007, e usa os resultados das avaliações para traçar metas de avanço e garantir que toda criança esteja lendo e escrevendo até os oito anos de idade.

O programa é um dos responsáveis pelo bom desempenho dos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental. Na última edição do Ideb (Índice da Educação Básica), realizado pelo Ministério da Educação (MEC), Minas Gerais ficou em primeiro lugar entre as redes estaduais, atingindo média 6 (índice dos países da OCDE). Em 2012, foi estendido aos anos finais do ensino fundamental.

Em Minas Gerais, 41,5% das escolas que oferecem os anos iniciais de ensino fundamental alcançaram Ideb maior ou igual a 6; 94% alcançaram Ideb maior ou igual à meta do Brasil para 2011 que é de 4,7; 76,6% possuem índice maior que a meta para o Sudeste, rede estadual, em 2011 (5,3); e 56,9% alcançaram Ideb maior que a meta estabelecida para a rede estadual de Minas Gerais em 2011 (5,7).

Programa de Avaliação da Alfabetização

O Proalfa é um importante instrumento de avaliação para o Estado e para os municípios. O exame que tem por objetivo avaliar a capacidade de leitura, escrita, interpretação e síntese dos estudantes ao fim do ciclo de alfabetização acontece anualmente. O Proalfa é, portanto, direcionado a todos os estudantes da rede pública do 3º ano do ensino fundamental e de maneira amostral aos estudantes do 2º e 4º anos do ensino fundamental.

O Proalfa é aplicado não só nas escolas da rede estadual, mas também nas escolas municipais de Minas Gerais. No total, cerca de 400 mil estudantes fazem as provas todos os anos e o índice de participação no Estado nas últimas edições ultrapassou os 90%.

As provas são desenvolvidas e corrigidas pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (Caed), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Aplicados nas próprias escolas, os testes são distribuídas para as 47 SREs que, por sua vez, repassam às escolas. Ao fim da aplicação, as provas retornam para Juiz de Fora, onde são corrigidas.

Dia Nacional da Alfabetização

O Dia Nacional da Alfabetização foi instituído em 1966,  pelo decreto nº 59.452 de novembro de 1966.

Fonte: Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais


Criado em: 16 nov 2012 | Tags: ,
Categoria: Notícias |

Enfraquecimento de programas públicos de educação de jovens e adultos preocupa

São Paulo – A falta de políticas públicas de municípios, estados e governo federal para a educação de jovens e adultos tem mostrado uma perda de foco no aprendizado que preocupa aqueles que acompanham o setor. A divulgação insuficiente da existência de cursos voltados a este segmento e o acanhamento daqueles que carecem de alfabetização são outros fatores que ajudam a explicar a trajetória de queda no oferecimento de vagas de Educação de Jovens e Adultos, o chamado EJA.

Dados preliminares do Censo Escolar, divulgados recentemente pelo ministério da Educação, mostram que de 2009 a 2012 a quantidade de alunos jovens e adultos na rede pública caiu 17,2%. Os números ainda podem passar por revisão, mas de todo modo revelam um recuo significativo em um espaço curto de tempo. De 39,1 milhões de alunos que estudavam na modalidade EJA em 2009, o país passou a ter neste ano 32,4 milhões.

Professores e entidades da sociedade civil apontam que os cursos de EJA  vêm fechando progressivamente. Prefeituras e governo estaduais dizem que encerram as turmas por conta da falta de procura. Os governos estaduais afirmam o mesmo. O governo federal, por sua vez, não tem nenhum programa específico para EJA e concentra esforços e investimentos no programa Brasil Alfabetizado, que se limita a acabar com o analfabetismo, mas não compreende a escolarização.

A historiadora e doutora em educação Maria Alice Santos acredita que as políticas públicas são sustentadas por um pensamento de que a alfabetização basta. Ela é professora da Universidade de Guarulhos e integra o projeto MOVA-Brasil, que promove a alfabetização em diversos estados do Brasil, e o Fórum EJA-SP, que reivindica políticas públicas para a modalidade. “Achar que em pouco tempo a pessoa aprende a leitura e a escrita é um problema histórico das campanhas. Não é assim que se faz. As pessoas têm de fazer uso do aprendizado. O público de EJA, muitas vezes, não tem recursos pra comprar um jornal diário ou livros. Então, é o espaço escolar é o que garante esse estudo”, diz.

A modalidade EJA faz parte da política educacional brasileira desde o primeiro Plano Nacional de Educação (PNE), criado pela Constituição de 1934, mas foi o sucesso do Método Paulo Freire que a levou a ser instalada em diversas regiões do Brasil, na década de 1960. O filósofo e pedagago que o criou sistematizava a alfabetização de adultos com os chamados “círculos de cultura”, nos quais a aprendizagem surgia a partir da realidade e da necessidade dos alunos. O governo deixou de se limitar à alfabetização e compreender também a escolarização de jovens e adultos em 1971, com a criação de uma política nacional que fornecia ensino supletivo para pessoas de 15 anos ou mais.

Desde então, o analfabetismo no Brasil apresentou boas quedas. De um índice de 50% de analfabetismo em 1950, o país passou a ter somente 9,6% de sua população analfabeta, de acordo com o Censo IBGE 2010. Contudo, o analfabetismo funcional, no qual figuram aqueles que apesar de saberem ler e escrever, não conseguem interpretar textos e no qual o IBGE insere as pessoas com menos de quatro anos de escolaridade, ainda atinge 20,3% da população brasileira. E a escolaridade com ensino médio completo entre pessoas de 25 anos ou mais é um benefício de somente 23% dos brasileiros.

Segundo Maria Alice, o alto índice de analfabetismo funcional se deve à falta de escolaridade. “O aluno fica entre oito e onze meses no Brasil Alfabetizado. Mas se ele não amplia o conhecimento da escrita e da leitura, esquece-o. O aluno que passa por um período de alfabetização precisa garantir seu direito à continuidade.”

Uma das reivindicações do Fórum EJA-SP é de que a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), órgão do Ministério da Educação responsável por EJA, vincule o Brasil Alfabetizado ao atendimento em EJA. “A secretaria não conseguiu estabelecer exatamente a articulação de garantir a continuidade, pelos municípios e estados, dos estudos dessas pessoas”, comenta Maria Alice. Ela conta que desde 2010 essa secretaria tenta implementar a Agenda Territorial de EJA, cujo objetivo é que o estado trace metas para a educação de jovens e adultos. Contudo, até agora muitos estados não aderiram, e os que o fizeram não tiveram recursos para alcançar os alvos.

No Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), EJA é a modalidade que menos recebe recursos. “A verba não vem discriminada por segmento ou por modalidade. Mas há um entendimento de que não é necessário investimento em infraestrutura para que exista o atendimento de EJA, pois ele é feito com a estrutura da escola regular. Os recursos destinados seriam só para pagar professores. Mas nós não conseguimos reverter eles à ampliação da rede de EJA. Pelo contrário, os municípios não estão investindo nisso”, observa a historiadora.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na sexta-feira (21) pelo IBGE, a taxa de analfabetismo recuou 1,1 ponto percentual entre 2009 e 2011, e agora representa 8,6% da população com 15 ou mais anos de idade, ou seja, 12, 9 milhões de pessoas. Dentro deste grupo, 96,1% têm 25 anos ou mais de idade e, entre eles, 60% superam os 50 anos.

Para Maria Alice, há dois grandes motivos para a suposta queda na demanda. Um deles está relacionado a uma espécie de acanhamento. “Aqueles que não têm escolaridade ficam envergonhados de assumirem isso”. O outro é a falta de divulgação de que havia salas de EJA, o que levou o Fórum EJA-SP a solicitar ao Ministério Público Estadual que apresentasse ações contra as secretarias de educação do estado e da capital paulista. “Eles diziam que faziam chamada pública de que estavam abertas as inscrições para EJA no Diário Oficial. E algumas escolas colocavam faixas em frente. Nós brigamos, queríamos que a chamada fosse veiculada no rádio, na televisão.”

São Paulo

Atualmente, a maioria das turmas de EJA está em escolas municipais e estaduais convencionais, com atendimento à noite. Na cidade de São Paulo, entretanto, a prefeitura de Marta Suplicy (PT) desenvolveu os centros de integração de educação de jovens e adultos (Ciejas), que atendem exclusivamente jovens com escolarização tardia e adultos que não tiveram a oportunidade de estudar formalmente. Há, atualemente, 13 deles.

A pedagoga Eda Luiz foi uma das articuladoras do projeto. A ideia de fazer um EJA diferenciado surgiu no governo de Luiza Erundina (hoje no PSB) entre 1989 e 1994, que observara situação similar em uma visita ao Canadá. Durante a década de 1990, as turmas de EJA eram oferecidas apenas no período noturno, mas Eda não concordava com esse limite de atendimento e passou a oferecer aulas durante todo o dia. “A cidade de São Paulo funciona durante 24 horas, não posso ter um EJA só à noite, porque excluiria vários trabalhadores.”

Hoje, Eda dirige o Cieja Campo Limpo, com 1492 estudantes matriculados – o maior da cidade. O centro oferece seis períodos, durante a manhã, a tarde e a noite. “Tenho pessoas que trabalham a noite inteira e vêm para aula de manhã e só depois vão descansar. No período da tarde, temos as donas de casa. E à noite, há gente que trabalha durante todo o dia.” Ela contou que várias de suas alunas estudam escondidas de seus maridos. “Tem companheiros que não permitem que a esposa estude, dizem que coloca minhoca na cabeça dela. Muitos deles vêm buscá-las aqui, quando as descobrem.” Segundo Eda, muitas dessas mulheres procuram voltar à escola para ajudar seus filhos e netos. “Uma família com pais escolarizados garante o desempenho do filho em sua própria escola”.

O Cieja Campo Limpo utiliza o Método Paulo Freire e faz com que os estudantes de diferentes idades tenham de conviver. Ela acredita que os adultos deixam de procurar as salas de EJA porque são tratados como crianças nas escolas. “A escola regular não está preparada para receber a modalidade EJA, é formatada para atender crianças de 5 a 14 anos. Imagine um adulto que trabalhou o dia inteiro, saiu correndo do trabalho, correu do ponto de ônibus e, quando chega na porta da escola, dizem a ele que não pode entrar, porque está atrasado, e terá de esperar pela próxima aula. Ele se cansa e desiste”, disse Eda.

José Serra (PSDB) tentou acabar com os Ciejas durante sua prefeitura, entre 2004 e 2008. Mas a empreitada foi deixada de lado por conta da pressão popular. À época, os secretários estadual e municipal de Educação visitaram uma escola próxima ao Cieja Campo Limpo, junto com uma equipe da TV Globo, para gravar uma reportagem sobre a reparação da caixa d’água que iriam promover ali. Eda mobilizou alguns de seus estudantes, e eles apareceram com placas que diziam: “O Cieja não pode acabar”, durante a gravação. Os secretários pediram que a filmagem fosse interrompida, e Alexandre Schneider (PSDB), atualmente vice de Serra na eleição municipal, à época secretário de Educação, marcou uma reunião com Eda. No dia do encontro, além dela, estavam presentes cerca de mil alunos. “Se o Cieja acabar, não vamos ter onde estudar”, disseram os alunos a Schneider. A prefeitura, então, desistiu do plano.

Fonte: Rede Brasil Atual


Criado em: 24 set 2012 | Tags: ,
Categoria: Notícias |

Alfabetização no Brasil é tema de debate entre educadores

A alfabetização é tema de debate no programa Salto para o Futuro, que vai a ar nesta sexta-feira, 14, às 19 horas. Veiculado pela TV Escola, canal do Ministério da Educação, o programa discute o processo de alfabetização, que normalmente se dá dos seis aos oito anos de idade.

Estar alfabetizada significa, ao final do terceiro ano do ensino fundamental, que a criança deve ser capaz de compreender textos escritos em diferentes situações, dominar o sistema alfabético de escrita, ler e escrever com autonomia textos que tratem de assuntos familiares ao seu universo. O ciclo de alfabetização deve ainda garantir a inserção do aluno na cultura escolar e a ampliação das referências culturais, nas diferentes áreas do conhecimento.

Participam da discussão as professoras Telma Ferraz Leal, coordenadora do Centro de Estudos em Educação e Linguagem (Ceel), da Universidade Federal de Pernambuco; Francisca Izabel Pereira Maciel, que coordena o grupo de pesquisa Alfabetização no Brasil: o Estado do Conhecimento, na Universidade Federal de Minas Gerais, e Severina Erika Guerra, professora da rede pública municipal de Recife. Ela já atuou na alfabetização de jovens e adultos e trabalha na alfabetização de crianças do primeiro ao terceiro ano.

Uma das marcas do Salto para o Futuro é a interatividade. Durante o especial, os telespectadores poderão enviar perguntas sobre o tema, por mensagem eletrônica ou pelo telefone 0800-282-6757 (ligação gratuita de qualquer lugar do país).

O programa também mantém um canal aberto para a participação nas redes sociais. É possível o contato via twitter (@TVEscola) ou facebook. Os participantes também podem gravar um vídeo com perguntas ou comentários, postá-lo no youtube e enviar o link para o endereço do programa.

A TV Escola pode ser sintonizada via antena parabólica (digital ou analógica) em todo o país. O sinal está disponível também nas tevês por assinatura Claro (canal 123), Sky (canal 112) e Telefônica (canal 694).

Fonte: MEC


Criado em: 13 set 2012 | Tags:
Categoria: Notícias |

Dia Mundial da Alfabetização: no Brasil ainda é desafio, diz educadora

Apesar da redução no número de analfabetos, o Brasil ainda não tem muito que comemorar neste 8 de setembro, data que marca o Dia Internacional da Alfabetização. O Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2011-2012, divulgado em julho, mostra que, apesar da escolaridade média do brasileiro ter melhorado nos últimos anos, a inclusão no sistema de ensino não representou aumento significativo nos níveis gerais de alfabetização da população. “Tivemos políticas importantes para a inclusão das crianças na escola, mas a alfabetização no Brasil é um desafio desde muito tempo”, corrobora Maria Luiza Moreira, professora do curso de pedagogia da Uniritter.

O Inaf, produzido pelo Instituto Paulo Montenegro e a organização não governamental Ação Educativa, mostrou, ainda, que apenas 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas plenamente alfabetizadas e 38% dos brasileiros com formação superior têm nível insuficiente em leitura e escrita. “A nossa sociedade não é leitora. A leitura está mudando de lugar e forma e, às vezes, as dificuldades que as pessoas têm são principalmente pela falta de interação com um determinado tipo de texto”, explica Maria Luiza. Segundo ela, as escolas ainda não conseguiram se adaptar ao novo tipo de aluno, que ingressou com a universalização do ensino.

Demonstrando que o Brasil não é um país de leitores, a pesquisa Retratos da Leitura, divulgada em março deste ano, apontou que 75% dos brasileiros nunca frequentaram uma biblioteca. Além disso, a 33% da população disse que não tem nada que o motive a frequentar o espaço de estudo. Para apenas 20% dos entrevistados, a existência de livros novos é considerada um atrativo, 17% declararam que frequentariam mais as bibliotecas se elas ficassem perto de onde moram e 13% se elas tivessem livros mais interessantes.

O desafio
Maria Luiza aponta que é necessária a criação de iniciativas em sala de aula para manter os alunos interessados. “Muitas vezes, os alunos vão embora sem deixar a sala”, diz, se referindo à desatenção ao conteúdo trabalhado. Para ela, é necessário que se reúnam as melhores estratégias de cada método de alfabetização – deve-se trabalhar a relação letra e som e contextualizar o aprendizado. “É importante que se faça isso na escola, pois o aluno, muitas vezes, não tem esse tipo de experiência em casa”, aponta.

Para a pedagoga, a alfabetização já esteve em maior evidência nas discussões sobre educação. Ela acredita que a preocupação se tornou mais genérica, focada em resultados como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, que mostrou, neste ano, avanço nos anos iniciais e finais do ensino fundamental.

A Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) do IBGE – análise baseada principalmente em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2010 – indica que, em 2009, 9,7% dos brasileiros com 15 anos ou mais eram analfabetos, o equivalente a 14,1 milhões de pessoas. A Pnad mostra, ainda, que um em cada cinco brasileiros de 15 anos ou mais (20,3% do total) são analfabetos funcionais.

Mas o desafio não é apenas do Brasil. Nos Estados Unidos, uma pesquisa do Centro Nacional para Estatísticas da Educação divulgada em 2009 mostrou que aproximadamente um a cada sete americanos – 14% – têm baixa alfabetização e seriam incapazes de compreender textos complexos.

Década para a Alfabetização
O ano de 2012 encerra a Década das Nações Unidas para a Alfabetização, lançada em 2003 e coordenada pela Unesco, que criou o slogan “Alfabetização como Liberdade”. Em 2005, o órgão lançou a Iniciativa de Alfabetização para o Empoderamento. O objetivo da Educação para Todos – parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio lançado pela ONU em 2000 -, de aumentar para 50% os níveis de alfabetismo até 2015, é o objetivo geral para Década da Alfabetização.

Fonte: Terra


Criado em: 10 set 2012 | Tags:
Categoria: Notícias |

Ministro defende prioridade para a alfabetização na idade certa

Porto Alegre — O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse nesta terça-feira, 28, que o Brasil precisa dar prioridade e reforçar a alfabetização de crianças até os oito anos de idade. Mercadante participou, em Porto Alegre, do lançamento da campanha A Educação Precisa de Respostas, promovida pelo Grupo RBS.

No período de um ano, serão produzidas matérias jornalísticas nas emissoras do grupo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. As matérias terão o propósito de alertar e conscientizar os cidadãos, fiscalizar e cobrar ações do Poder Público, estimular e valorizar ações concretas de transformação no campo da educação nos dois estados.

Durante 20 minutos, Mercadante respondeu perguntas de professores, especialistas e autoridades educacionais. Sobre a alfabetização até os oito anos, de acordo com o ministro, programa sobre a idade certa, a ser lançado pelo governo federal em setembro, já tem a adesão de todas as secretarias estaduais de Educação do país e de quatro mil municípios.

O ministro também lembrou que a reformulação do ensino médio é um grande desafio para o país. Ele destacou o papel do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesse processo de mudança e alertou os estudantes sobre as possibilidades abertas com um bom desempenho no Enem. Entre elas, o acesso a políticas públicas do setor educacional, como o programa Ciência sem Fronteiras.

A formação de professores foi outro tema abordado no debate. O ministro salientou que 350 mil professores cursam hoje a primeira ou a segunda graduação por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid).

Assessoria de Comunicação Social


Confira a Portaria nº 867, de 4 de julho último, que institui o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa

Fonte: MEC


Criado em: 29 ago 2012 | Tags:
Categoria: Notícias |

Programa do MEC para alfabetizar alunos até os 8 anos vai investir na formação de professores

São Bernardo do Campo (SP) – Deve entrar em funcionamento, no ano que vem, o Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), do Ministério da Educação (MEC). Segundo o secretário de Educação Básica da pasta, Cesar Callegari, na próxima semana o ministério enviará uma correspondência a todos os prefeitos e governadores explicando os detalhes do programa, que pretende garantir a alfabetização de todos os alunos até os 8 anos de idade tendo como principal foco a melhora na formação dos professores que lecionam nos três primeiros anos do ensino fundamental.

“O Ministério da Educação está decidido a trabalhar de maneira colaborativa com cada um dos municípios e estados brasileiros para que nós possamos realizar essa tarefa, absolutamente indispensável para o sistema educacional brasileiro”, ressaltou Callegari para uma plateia composta de secretários municipais de todo país no Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação.

O foco da iniciativa é melhorar a formação dos 244 mil professores que lecionam no três primeiros anos do ensino fundamental. Entre as ações previstas está a distribuição de bolsas de incentivo para que os professores participem de cursos de capacitação fora do horário de trabalho.“É absolutamente indispensável valorizar esses profissionais. E a melhor maneira de valorizar esses profissionais é proporcionando um lugar de destaque na suas carreiras e um processo de formação continuada”, disse o secretário.

Callegari espera que todos os gestores municipais e estaduais enviem as demandas necessárias para a execução do programa até julho para que os recursos necessários sejam incluídos no orçamento de 2013.

Fonte:  Agência Brasil de Comunicação


Criado em: 17 mai 2012 | Tags:
Categoria: Notícias |

">MEC lança pacto para alfabetizar aos 8 anos

São Paulo – Com quantos anos uma criança precisa saber ler e escrever? O Ministério da Educação lançará, no mês que vem, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que estabelece que todos devem estar alfabetizados ao fim do 3º ano do ensino fundamental, aos 8 anos de idade. É o que prevê, também, a meta 5 do Plano Nacional de Educação (PNE), em tramitação no Congresso.

No País todo, 5.182 municípios (93,2% do total) aderiram ao pacto e receberão material didático e cursos de formação docente. Uma notícia a ser comemorada? Em parte, afirmam os especialistas. O compromisso com a alfabetização é importante e é preciso, de fato, que o País se responsabilize por isso. A questão a ser discutida, questionam, é a idade estipulada para que esse processo se concretize.

“Oito anos é muito tarde. O País já paga muito caro pelo histórico de falta de atenção à educação. Então, se a ideia é mudar isso, temos de centrar esforços e apostar em metas mais ousadas”, afirma Izolda Cela de Arruda Coelho, secretária de Educação do Ceará.

Por lá, os avanços dos anos iniciais fizeram o Estado referência em alfabetização. O programa do MEC, inclusive, foi inspirado no que é desenvolvido pela rede cearense desde 2007. “Recebemos a visita do ministério, porque pediram nossa participação. Minha discordância manifesta é em relação à idade”, completa Izolda.

Pode parecer detalhe, mas, nesse caso, um ano a mais faz diferença no direito dessa criança de se apropriar das coisas à sua volta, afirma o neurocientista Ivan Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Prejuízo intelectual não causa, porque sempre se pode alfabetizar depois. Mas a criança perde espaço para participar do mundo.”

Para ele, essa alfabetização tardia é uma questão cultural e mudar esse paradigma exige que as políticas públicas considerem, além do olhar dos pedagogos, a visão de outros cientistas. “Não dá para trabalhar isolado. O cérebro é uma questão da neurociência. Aos 3 anos, a criança já tem condições de dominar e usar a linguagem. Aos 6, já pode estar alfabetizado.”

O presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Araujo e Oliveira, explica que 6 anos é a idade em que se alfabetiza na maior parte dos países que têm um idioma com complexidade parecida à da língua portuguesa, considerada semitransparente, isto é, que tem razoável correspondência entre grafema e fonema.

Há línguas transparentes em que a correspondência é mais regular – como o italiano e o finlandês – e idiomas opacos, nos quais há muitas irregularidades entre a forma que se fala e a maneira que se escreve, como o inglês. Nesses idiomas, o processo seria mais demorado.

“Considerando que a escolarização tem começado aos 4 anos, não dá para conceber que se leve outros quatro para que essa criança leia e escreva”, diz Araujo e Oliveira.

A prova da possibilidade dessa alfabetização, resume a consultora educacional Ilona Becskeházy, são as escolas privadas. “Se o aluno do colégio particular aprende a ler e a escrever no primeiro ano, por que a expectativa para quem depende da rede pública é maior?”

 

Ponderações

Apesar da capacidade neurológica das crianças, trabalhar com idade limite inferior aos 8 anos é utopia, pondera Priscila Fonseca da Cruz, diretora executiva da ONG Todos pela Educação. “Uma meta precisa ser desafiadora, mas factível. É claro que há muitos que lerão aos 6 e aos 7 anos, mas se conseguirmos uma régua que garanta que ninguém chegue aos 9 analfabeto, já é um bom início.”

Ela lembra que a Prova ABC – aplicada a cerca de 6 mil alunos de escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais do País – mostrou que só metade dos estudantes estava plenamente alfabetizada aos 8 anos. É preciso, ainda, considerar que pelo menos 20% das crianças brasileiras também não têm acesso à educação infantil e chegam menos prontas ao ensino fundamental. “Infelizmente o Brasil é desigual e o princípio da razoabilidade precisa estar presente”, acrescenta Priscila.

O secretário de Educação Básica do MEC, Cesar Callegari, também contesta a visão de que se deveria baixar para os 6 anos a idade de alfabetização. “O que estamos propondo não se trata, de forma alguma, de esticar um prazo. Nossas crianças vêm de várias origens e a escola procura minimizar essa desigualdade”, diz.

Durante o ciclo de aprendizagem, que engloba os três primeiros anos escolares, alguns alunos se desenvolverão antes que outros. “Só devemos assegurar que todos, sem exceção, terminem essa fase alfabetizados. Isso não é afrouxar o trabalho, é respeitar que as crianças têm ritmos de desenvolvimento diferentes.” Callegari acrescenta: “O que vamos medir ao fim dos 8 anos não é a pura decodificação e a leitura automática. É algo mais complexo que, até mesmo nas escolas particulares, se consegue apenas nessa idade.”

Fonte: UOL (As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.)


Criado em: 24 mar 2012 | Tags:
Categoria: Notícias |