Busca no site:

Compromisso com a educação torna-se eixo central do debate público

Tamanho do texto: A- A A+

O direito à educação não se resume à vaga na escola, ele só se realiza com o desenvolvimento daquelas competências que asseguram ao jovem o ingresso no mundo da cultura e da cidadania.  

 

Coordenadora-geral do CAEd/UFJF comenta novo lema de governo para o país

Anunciado no discurso de posse do segundo mandato, o lema “Brasil, pátria educadora” sintetiza a prioridade do governo federal para os próximos quatro anos. A coordenadora-geral do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF), Lina Kátia Mesquita de Oliveira, comenta o tema e as atividades da instituição nesse contexto.

 

  • Quais são as expectativas com relação ao trabalho desempenhado pelo CAEd, haja vista o novo lema “Brasil, pátria educadora”?

“Brasil, pátria educadora” é um lema desafiador que nos leva imediatamente a pensar em metas de qualidade e equidade para a educação brasileira: implantar políticas públicas educacionais que garantam acesso e permanência de crianças e jovens brasileiros numa escola de qualidade para todos. Buscar formas de ajudar a atingir essas metas tem sido o objetivo primordial do CAEd. A definição das políticas mais adequadas em cada contexto e o monitoramento de seus resultados são ações ancoradas nas avaliações externas do desempenho escolar. E o CAEd trabalha incessantemente na produção de informações significativas sobre a realidade educacional do país, ao realizar a avaliação do desempenho escolar em vários estados e municípios brasileiros. Avaliar significa não transferir para a posteridade o julgamento do que estamos fazendo hoje: é possível saber, com rapidez e clareza, se estamos de fato comprometidos com este direito que todo brasileiro tem de aprender. Daí, o compromisso do CAEd. Ao reunir pesquisadores de diversas áreas, como alfabetização e letramento, educação matemática e científica, estatística e psicometria, além de gestores da educação pública que lidam, no seu cotidiano, com o compromisso de elevar a qualidade do ensino e melhorar os padrões de gestão das escolas, o CAEd é uma experiência única que integra a ciência, a universidade e a educação pública. Contribui, portanto, de forma substancial para estabelecer uma pátria verdadeiramente educadora.

  • De que maneira a avaliação externa pode auxiliar os esforços para a melhoria da Educação, no contexto presente, considerando a realidade brasileira heterogênea?

O Brasil, em poucos anos, colocou em operação um sistema nacional de avaliação da educação de muita qualidade. Ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) se associam muitos programas estaduais de avaliação escolar. É certo que as desigualdades brasileiras incidem fortemente nas oportunidades educacionais de crianças e jovens. Contudo, as disparidades regionais não devem servir de justificativa para a admissão de padrões de desempenho inaceitáveis. Em uma unidade da Federação, por exemplo, constata-se que 30% das crianças com quatro anos de escolaridade são, para todos os efeitos práticos, analfabetas. Em outra, esse percentual eleva-se para 60%. Esses números não podem perder o seu verdadeiro sentido. Não importa onde nasceu o brasileiro, o acesso à leitura e à escrita deve ser garantido. Os resultados das avaliações da educação básica atestam, de modo geral, a baixa qualidade do ensino oferecido em nossas escolas. Contudo, o que talvez seja uma observação mais precisa sobre a realidade de nossa educação pública é a existência de largos contingentes de crianças e adolescentes que, à custa de dificuldades de aprendizagem e de pouco incentivo para os estudos, terminam por desistir da escola, seja pelo abandono da sala de aula, seja se entregando às reprovações e às turmas de excluídos, diante de uma escola indiferente. O primeiro efeito das avaliações da educação básica de larga escala é trazer à luz a situação dessa população estudantil e promover a equidade como um valor fundamental da educação democrática. Por isso costumamos dizer que avaliar a educação é testar a eficácia de um direito fundamental. O direito à educação não se resume à vaga na escola, ele só se realiza com o desenvolvimento daquelas competências que asseguram ao jovem o ingresso no mundo da cultura e da cidadania.

  • Você pensa que a proposta apresentada no novo lema é algo que precisa ser segmentado ou é algo mais generalista? Por quê?

Nunca é demais repetir que é preciso combater a indiferença, a crença, mais difundida do que se pensa, de que para muitos brasileiros basta algum rudimento de escolarização. Por essa razão é preciso conceber políticas que incentivem os profissionais da educação que querem fazer a diferença, políticas que combatam os cenários tão frequentes de paralisia e inércia de forma generalista, mas com atenção redobrada às localidades que necessitam de atenção especial. E isso não se faz só com recursos e orçamentos, mas com ideias generosas e democráticas, bons programas de ensino e propostas curriculares inovadoras, padrões de desempenho bem definidos e atenção para com a formação do professor.  Acredito que esse movimento é geral, mas ressalto a importância de se oferecer condições diferenciadas às regiões que apresentam resultados preocupantes nas avaliações, assim como nas condições de oferta.


Criado em: 07 jan 2015 | Categoria: Entrevistas |