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O bom debate para avançar na educação brasileira

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A recente divulgação pelo Ministério da Educação do Ideb 2011 trouxe informações relevantes e necessárias para que o Brasil continue a avançar como uma nação que prioriza o desenvolvimento social, econômico e ambiental. Tão importante quanto os resultados apresentados é a constatação de que a sociedade brasileira está incorporando as discussões sobre a qualidade da educação em sua rotina. É um Brasil que se transforma graças a contribuições de diferentes governos. Para citar alguns mais recentes, importantes ações na área da educação foram tomadas durante os governos Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula e agora pela Presidenta Dilma. Não fossem tais contribuições dificilmente poderíamos estar hoje discutindo os avanços e os desafios da educação básica em nosso País.

E é exatamente por estarmos em um momento decisivo de nossa história, considerando, entre outras coisas, a janela demográfica que vivemos, que não podemos perder a oportunidade de realizar o bom debate sobre a educação brasileira sem cair na armadilha de polêmicas infrutíferas.

Ao apresentar os resultados do Ideb, o ministro da educação Aloizio Mercadante trouxe à tona para discussão, principalmente no que se refere ao ensino médio, algumas questões altamente qualificadas que, se não forem debatidas, podem comprometer os avanços que todos almejamos. Primeiramente o ministro abordou a necessidade de discutirmos o currículo do ensino médio, solicitando estudos sobre a viabilidade de migrarmos do atual projeto enciclopédico que hoje prevalece para um currículo, que considere áreas do conhecimento, sem prejuízos de disciplinas específicas que, evidentemente, estariam contidas nas grandes áreas considerando as suas inter-relações. Solicitou ainda que fossem analisadas questões como oferecimento do ensino médio no turno diurno versus noturno e sua orientação única e acadêmica. Para tal o MEC instituiu uma comissão que envolve especialistas em avaliação, os secretários estaduais e municipais de educação, bem como a Secretária de Educação Básica e o Inep.

Outra questão abordada pelo ministro foi a necessidade de um estudo para se verificar a efetividade do Saeb, que é aplicado de forma amostral para alunos do 3o ano do ensino médio, como métrica para avaliar e permitir a construção de políticas de melhorias nessa fase de ensino. A discussão é necessária e útil, afinal, no passado foi tomada a decisão de transformar a Prova Brasil aplicada no 5o e 9o anos do ensino fundamental de amostral para censitária com o objetivo, entre outros, de se ter um maior envolvimento e comprometimento das escolas, da família e da sociedade com os resultados. Parece não haver dúvidas que tal decisão foi acertada e que a mesma mobilização é hoje necessária para o ensino médio.

Ao propor o estudo da mudança de uma aplicação amostral para censitária, o ministro aponta as vantagens de tal mudança sem desconhecer que todas as aplicações amostrais foram feitas dentro da mais correta técnica científica e que, portanto todos os seus resultados são validados e relevantes. No entanto, na discussão de migração para uma avaliação censitária para o ensino médio, surge outra questão importante e que necessita ser debatida: é apropriado substituir no cálculo do Ideb a métrica do Saeb pelo Enem?

No meu entendimento, estudos sobre a introdução da métrica do Enem para o cálculo do Ideb do ensino médio podem se constituir em uma ótima oportunidade de tornar os mecanismos internos da régua da educação brasileiros mais conhecidos e mais apropriados. Eis alguns aspectos que tal debate introduz: como será tratado o problema da ausência de alunos matriculados no ensino médio, que ocorrem tanto no Saeb como no Enem? Como garantir a coerência da nova metodologia de cálculo com a importante série histórica que o Brasil hoje possui? Como considerar as notas das quatro áreas consideradas no Enem, lembrando que no Saeb são avaliadas somente duas áreas, Português e Matemática? A nota da redação deve ser incluída? Tais estudos demandam uma revisão ou introdução da interpretação pedagógica dos escores do Enem.

Fonte: INEP


Criado em: 13 set 2012 | Categoria: Notícias | Tags: , , , ,

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