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Como Melhorar os Resultados Educacionais?

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Quais são os mecanismos mais eficazes para avaliação de políticas educacionais? De que depende o sucesso de uma política? Sistemas de avaliação personalizados podem identificar soluções para cada caso. Saiba porque é essencial e estratégico investir nessa tarefa.

A crescente pressão social pela melhoria da qualidade da educação tem impulsionado estados e municípios a buscarem mecanismos para aprofundar o conhecimento de suas redes de ensino e avaliar suas políticas educacionais. Tal tendência intensificou-se a partir da década de 1990, quando o Ministério da Educação/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (MEC/Inep) implantou o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), o que ampliou a fidedignidade dos dados sobre as escolas e salas de aula. Entretanto, o SAEB não é suficiente para um diagnóstico detalhado. Para conhecerem sua realidade a fundo, estados e municípios necessitam de mecanismos de avaliação mais precisos e minuciosos, que forneçam informações sobre um universo maior de alunos e com uma frequência maior do que o SAEB. Nesse sentido, a maioria dos estados – e inúmeros municípios – mantém seus próprios sistemas. Em 2011, 16 estados realizaram avaliação de desempenho de seus alunos. As informações geradas são um valioso instrumento para subsidiar e planejar as políticas educacionais, aprofundando o retrato produzido pelo SAEB.

Informação: a base das boas políticas

O sucesso de uma política não resulta apenas do insight ou da experiência de quem a formula. Depende, por outro lado, de um diagnóstico seguro, da avaliação das medidas adotadas e do acompanhamento dos avanços em relação aos objetivos. Em educação, espera-se que as políticas atendam à demanda por vagas e assegurem as condições para que todos concluam a formação com sucesso, no tempo previsto, na idade correta e com elevado nível de aprendizado e desenvolvimento pessoal.
O impacto dessas políticas deve ser assegurado pela realização de avaliações sistêmicas, como determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

Os bons resultados não surgem imediatamente e as decisões de cada escola, município ou estado condicionam o futuro. No pior cenário, as novas gerações aprendem menos que as antecedentes, comprometendo o porvir: o fracasso nos anos iniciais tende a se propagar nos subsequentes.

O acúmulo de fracassos no Ensino Fundamental é um dos fatores que explica a dificuldade do Brasil para melhorar o Ensino Médio, reduzir o abandono e a reprovação, e qualificar o desempenho dos jovens. Em contrapartida, no melhor cenário, quando a aprendizagem avança e se consolida, as políticas priorizam o início do Fundamental, sem abandonar os demais níveis. Afinal, como atestam as avaliações internacionais, nenhum sistema educacional se credencia para trabalhar com as séries mais avançadas se não assegurar a plena alfabetização de todas as crianças ao final do primeiro ciclo do Ensino Fundamental.

No Brasil, estados e municípios, que baseiam seus diagnósticos e políticas em avaliações de larga escala há mais tempo têm experimentado a melhoria dos resultados, principalmente nos anos iniciais, e formado alunos mais bem preparados.

Qualidade para todos

Em nosso país, as desigualdades socioeconômicas são as principais responsáveis pelas diferenças no desempenho. Por isso, o desafio da qualidade e da universalização da Educação Básica é tão complexo.

A relativa homogeneidade de antes se desfez com a ampliação do acesso, o que trouxe à escola alunos de diversos estratos sociais, com interesses, necessidades e expectativas variadas. Assim, qualidade e equidade tornam-se indissociáveis na equação educacional.

A equidade introduz um critério adicional de avaliação das políticas: é fundamental que as crianças e jovens que mais precisam da escola melhorem seu desempenho. Políticas educacionais universais servem para promover mudanças gerais no sistema, mas não são, necessariamente, eficazes para reduzir diferenças reveladas pelas avaliações.

A melhoria das condições de ensino, da gestão, da infraestrutura e da qualificação dos docentes são indispensáveis para o bom funcionamento das escolas, beneficiando toda a rede de ensino. Existem, ainda, condições específicas que demandam políticas focadas, tais como: escolas nas periferias, em áreas de vulnerabilidade social ou na zona rural, dentre outras.

Para além dos sistemas de avaliação

A efetividade das políticas depende também da articulação dos resultados de desempenho com informações dos fatores intra e extraescolares fornecidos pelas avaliações estaduais e municipais e dados mais gerais, como o Censo Escolar, pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dentre outros.

O exame conjunto dessas informações pode revelar problemas: nem sempre o melhor desempenho dos alunos, aferido pela avaliação externa, significa maior taxa de aprovação; os dados disponíveis revelam, em todo o Brasil, casos de regiões onde a taxa de aprovação é baixa e o desempenho é mais alto e vice-versa. Essa aparente contradição sugere uma falta de sintonia entre os resultados expressos nos padrões de desempenho estudantil e os padrões de excelência adotados pelas escolas. Aponta para a necessidade de se questionar a avaliação realizada pelos professores que, ora se mostra mais complacente do que deveria e ora mais rigorosa, tomando-se como critério de comparação o desempenho dos alunos.

Outras medidas são necessárias, como a definição de metas e de pessoas responsáveis pelo cumprimento delas; o estabelecimento de incentivos para que todos estejam envolvidos e, consequentemente, tenham um nível de desempenho apropriado; e o auxílio às escolas no seu esforço de oferecer o nível de educação esperado. Essas medidas devem ser associadas a uma cadeia de responsabilização, que prescinde do envolvimento de todos.


Criado em: 20 mai 2012 | Categoria: Artigos de Referência | Tags: ,

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