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Índice de analfabetismo compromete qualidade da educação no Brasil

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Manuel Palacios“O analfabetismo escolar tem sido até aqui o principal obstáculo à elevação da qualidade do ensino”. (Manuel Palácios)

O analfabetismo escolar é considerado hoje o principal obstáculo à elevação da qualidade do sistema educacional brasileiro. Um aluno que conclui o ensino fundamental sem o domínio adequado da leitura, certamente terá muita dificuldade em utilizar o material didático de suporte à série em que se encontra. Neste contexto, o coordenador de Planejamento e Controle do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Manuel Palácios, destaca a importância das avaliações educacionais para monitorar o processo inicial de escolarização e possibilitar intervenções emergenciais adequadas à solução dos identificados.

Portal da Avaliação: O governo de Pernambuco, em parceria com o CAEd, está implantando uma nova etapa no sistema de avaliação educacional do estado, envolvendo os professores nas discussões em torno dos parâmetros curriculares e expectativas de aprendizagem. Isso sugere uma tendência geral de mudança no sistema de ensino do país?

Manuel: O CAEd vem atualmente avaliando a educação básica dos estados e isso acompanha a tendência das diferentes unidades da federação em implantarem sistemas de avaliação próprios, que criam condições para uma informação mais precisa e mais acessível para as escolas sobre suas realizações, além de servir como suporte para políticas educacionais baseadas na aferição dos resultados de aprendizagem. Nós temos acompanhado esse processo de introdução de novas ferramentas de gestão, especialmente avaliação, e temos procurado dar todo o apoio necessário. As mudanças que vêm sendo observadas são bem interessantes. Os resultados verificados nos últimos anos apresentam melhorias significativas, com destaque para os alunos do segundo e terceiro anos do ensino fundamental.

PA: E qual é a importância da avaliação da educação realizada pelo CAEd neste contexto?

Manuel: Essas avaliações são muito importantes para monitorar o processo inicial de escolarização, que tem como foco a alfabetização, e possibilitar intervenções emergenciais para corrigir eventuais problemas observados. O analfabetismo escolar tem sido até aqui o principal obstáculo à elevação da qualidade do ensino. Um aluno que chega ao final do ensino fundamental com dificuldade de leitura, certamente terá problemas para acessar os materiais educacionais correspondentes à série que está freqüentando. Isto não é pontual, pelo contrário, encontram-se muitas situações de aluno que já estão em fases mais avançadas sem o domínio da leitura e que acabam seguindo de forma precária o percurso da educação básica sem esse conhecimento inicial.

PA: Há muitas políticas públicas que estão sendo implementadas agora com o objetivo de assegurar a alfabetização na idade certa. Minas Gerais é um dos estados que o CAEd acompanha há mais tempo. Como está a situação no estado?

Manuel: O CAEd é responsável pela avaliação da educação básica de Minas Gerais desde a implantação do Simave em 2000. A avaliação da alfabetização foi iniciada no estado em 2006 e, desde então, conseguimos ter um panorama das crianças que estão cursando o terceiro ano do ensino fundamental, principalmente no âmbito do Pro-Alfa, em que podemos observar uma linha de desenvolvimento com resultados bem expressivos. A qualidade do processo de alfabetização em Minas Gerais conheceu uma melhoria muito importante nesses anos. A avaliação veio permitindo um monitoramento preciso, identificando os alunos com dificuldades específicas. Outras políticas da Secretaria Estadual de Educação têm criado condições de apoio às escolas para lidar com as situações de insuficiência e dificuldade de alfabetização.

PA: A escolarização é um processo cumulativo. As deficiências e dificuldades que o aluno encontra vão se acumulando e se tornando obstáculos para os anos seguintes. Como a avaliação da educação pode alterar este cenário?

Manuel – Se a criança não tem um início que assegure acesso às competências mais básicas, o processo que se segue vai ser muito penoso e ficará sempre aquém do desejado. Por isso é importante colocar em evidência o papel que a avaliação vem cumprindo no país como uma ferramenta a serviço da gestão da educação pública, identificando as situações que necessitam de intervenção e possibilitando aos gestores da educação – desde o diretor e coordenadores da escola até as equipes que atuam nas secretarias – a formularem e alinharem recursos para a resolução dos problemas identificados. É claro que a educação básica é um universo muito vasto, que implica muitas políticas coordenadas, mas a avaliação sempre permite uma visualização que ajuda a identificar as áreas que precisam ser abordadas e tratadas com mais cuidado.


Criado em: 02 fev 2012 | Categoria: Entrevistas | Tags:

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