Busca no site:

Entrevista com Lina Kátia Mesquita de Oliveira, coordenadora geral do CAEd

Tamanho do texto: A- A A+

“Está nítida a consolidação dos sistemas próprios de avaliação da rede estadual. Entendo que isso é reflexo da percepção por parte dos estados e municípios de que avaliar é fundamental, …”

O Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd / UFJF) realizou nesse mês de abril o quinto encontro do Sistema Integrado de Avaliação das Redes de Ensino (V Siare). O encontro aconteceu na cidade de Rio Quente, em Goiás, e envolveu representantes das secretarias de educação de 17 estados brasileiros e duas prefeituras. A coordenadora geral do CAEd, Lina Kátia Mesquita de Oliveira, conversa com o Portal da Avaliação sobre as principais atividades desenvolvidas no evento.

Portal da Avaliação (PA): O V Siare foi uma discussão em torno da utilização e apropriação dos resultados das avaliações que ocorreram no final de 2011. Em que fase está o debate?

Lina Kátia: Nós estamos em fase de entregar os boletins impressos. Os resultados já se encontram nos sites e, em cada estado, já houve pelo menos alguma forma de divulgação desses resultados. Agora o mais importante para nós é quando estes resultados chegam até a escola e começam a ser discutidos para definir como serão utilizados no replanejamento do projeto pedagógico.

PA: Que estratégias estão sendo adotadas para se alcançar este objetivo de redesenhar os projetos pedagógicos?

Lina Kátia: Nós estamos realizando oficinas, encontros e seminários, além do curso presencial de 80 horas e o curso à distância de 40 horas. Então o objetivo maior é a integração dessa rede e uma troca de experiências em diversos estados para mostrar como esses resultados podem ser apropriados e utilizados.

PA: Do  primeiro Siare até agora, já é possível enxergar uma curva evolutiva nesse processo?

Lina Kátia: Sim, principalmente em termos de participação de estados. Nós realizamos o primeiro Siare com cinco estados. Neste último tivemos 19 representantes, incluindo as prefeituras de Belo Horizonte (MG) e Campo Grande (MS). Está nítida a consolidação dos sistemas próprios de avaliação da rede estadual.

PA: Em sua opinião, por que o Siare está expandindo, tendo em vista que a avaliação da educação por parte dos Estados e Municípios não é obrigatória por lei?

Lina Kátia: Entendo que isso é reflexo da percepção por parte dos estados e municípios de que avaliar é fundamental, é testar o direito do cidadão de aprender e, a partir daí, criar políticas públicas voltadas para a promoção da qualidade e da equidade.

PA: O Siare não possui uma periodicidade definida. Como é a demanda pela realização dos encontros?

Lina Kátia: O Siare acontece principalmente em etapas importantes da avaliação. Essa rede é um espaço rico de debate e troca de experiências sobre o que acontece em cada estado. O V Siare teve como foco a utilização dos resultados. Mas nós já estamos prevendo um Siare para o início de agosto para discutir critérios, estratégias, procedimentos e o controle de aplicação dos exames de 2012.

PA: Este encontro contou com a participação de estados que ainda não são parceiros do CAEd. Qual a intenção ao trazê-los para o debate?

Lina Kátia: Na realidade o convite foi feito em função de uma demanda dos próprios estados. Eles ainda não têm uma parceria firmada com o CAEd, ainda não realizaram a avaliação em 2012, mas estão querendo entrar nessa rede. O objetivo foi integrá-los e permitir que eles conheçam o processo da avaliação. A participação se deu a partir de um convite nosso, uma vez que já existe o interesse deles em criar um sistema próprio de avaliação e estabelecer uma parceria com o CAEd.

PA: Estas avaliações não são importantes apenas para os estados, mas também para a própria UFJF. De que maneira estes resultados são apropriados pela universidade?

Lina Kátia: O CAEd não tem o propósito de simplesmente aplicar o teste e entregar o resultado para as secretarias de educação. Pelo contrário, o objetivo maior é consolidar uma rede de mão dupla: a universidade contribui para melhorar a educação básica e, ao mesmo tempo, estes resultados ajudam a universidade a reprogramar seus cursos de graduação de modo a adequar a formação dos especialistas, professores e profissionais da educação que a UFJF está devolvendo para a sociedade.


Criado em: 02 fev 2012 | Categoria: Entrevistas |